O Caos era único, e foi o primeiro, surgido de coisa alguma ele simplesmente existiu. O Caos criou o Vazio, onde nada existia, a não ser sua vontade. E longos milênios se passaram e o turbilhão de vazio do Caos se transformou em calma e tranqüila Ordem e os dois se fundiram, e tomaram forma e consciência. Dizem que este foi o primeiro dos deuses, o primeiro e único, Uhm, assim chamado por outros em longínquos anos vindouros.
O Caos e a Ordem, misturadas na essência de Uhm criaram um inquieto movimento, rotativo e constante, aleatório e violento, que se satisfez e se incomodou com o vazio que ali existia. A vontade, que permeava a tudo, atendeu à ordem, surgindo então as primeiras estrelas, que iluminavam o vazio. Mais tarde, o Único se
sentiu só e do vazio, criou a Terra, seu primeiro filho, e nele o Caos impôs sua vontade, como no surgimento. A imprevisível vontade do Caos moldava as formas da Terra com violência e temor, forjando vales e planícies, planaltos e montanhas, com fogo e vento. Mas outra vontade se levantou, e a Ordem, posteriormente, tentava aquietar a força do Caos e do fogo, amenizando tudo com o mesmo vento
que esculpia violento a Terra.
A criação de seu filho, inerte, trouxe ao Único uma sensação boa, e ele decidiu continuar a obra da criação, criando a água e fazendo dela um berço de idéias. Viu que como o fogo e o vento, a água moldava a Terra e desses materiais, soprou vida por toda a criação, com animais que viviam na terra, sobre ela, no vento, no fogo e na água. As criaturas povoavam todo o espaço que lhes eram de alcance, e o Único lançou sobre eles uma migalha de vontade, suficiente para que lhes surgisse o instinto e a necessidade de vida. Mas mesmo assim, o Único se sentia só, via que sua vontade se limitava ao que ele conhecia e via, e nada era mais
imprevisível. Então, decidiu separar sua vontade e criou filhos à sua imagem e os chamou de Farrane. Os Farrane eram dez, criados uma a um sem pretensões e lançados em diferentes pontos da criação para que lá, sozinhos, tomassem consciência e moldassem suas personalidades. E assim foi.
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Iliátes andava sobre a terra e seus passos eram serenos. Os elfos há muito sabiam ouvir a chegada de Iliátes e a ele clamavam em orações. Iliátes era o sexto filho do Único e escolheu os elfos como seus afilhados mais queridos.
Nesta época, todos os deuses, com exceção de Galathon e Zaleu, andavam pela terra, livres para atuar na criação. Sua presença era necessária em Lanethir e Iliátes desceu do vazio para atender a seus preferidos.
Em Lanethir, o reino dos elfos do Leste, a divindidade ouviu o rei Deasnir, o Sábio, relatar sobre um terrível perigo que crescia no Norte. Algo que não se sabia a origem e nem mesmo pelos oráculos era possível conseguir informações verdadeiras. Sacerdotes não obtinham respostas de seus deuses e não mais que um
sussurro de medo era trazido pelos ventos que vinham da região. Iliátes ouviu paciente e recebeu as súplicas dos elfos com um sincero sorriso, mas disse que nem ele sabia do que se tratava, pois a vontade do Caos, às vezes, superava a da Ordem e tudo dependia de seu Pai.
Iliátes tomou Deasnir pelo braço e o levou ao Norte, adentrando onde lhe parecia turva a visão. Debaixo da terra, no calor escaldante do fogo eterno da criação, os dois viram terrores ancestrais, surgidos do fogo e da terra, correrem em meio aos rios de destruição que fundiam metal ao toque, fugindo de algo que lhes
amedrontara mais que as divindades surgidas do início.
O Rei Élfico e o Pai da Sabedoria tremeram ao ver o que povoava o centro da terra. Deasnir cegou-se e sua língua não pode contar o que vira. Iliátes se emudeceu e não mais ouviu-se sua voz entre as criaturas não divinas da Terra.
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2 comentários:
Ainda dá tempo de participar deste rpg?
sempre há tempo, inda mais porque fiquei afastado da net, os jogadores devem estar irados comigo hehe
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